sexta-feira, 12 de junho de 2009

Fraqueza Minha


De vez em quando faz assim só para me convencer
Solta a sua voz louca num canto caloroso
Balança numa dança erótica
Sussurra-me ao ouvido palavras doce de carrinho
Envolve-me nos seus braços
Tudo só para me convencer.

De vez em quando desaparece sem dizer nada
Faz um jogo das escondidas, do gato e do rato
Mas depois aparece com um ar de vítima
Inocência de uma criança
E se cola, e se enrosca e se espalha toda em mim
Só para me convencer.

Às vezes nem estou aí para o amor
Mas ela vem e se faz e se envolve em romantismos
E me fisga, me toca e me acaricia
E com os seus lábios doces e sedentos
Percorrem, arrepiando-o, por todo o meu corpo
E me convence do seu sabor… e da minha fraqueza.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Política hipócrate


Não vi a criança que estava sozinha a remexer o lixo.
Não ouvi a que insistentemente me pedia socorro,
Nem a que gritantemente chorava pelo colo da mãe.
Nem sequer senti o toque da menina que me agarrava pelas mãos.

Não soube que o médio oriente estava em guerra
Nem que o terrorismo proliferara por toda a terra.
Parece que um avião qualquer destruiu umas torres
E o Afeganistão e o Iraque passaram a viver terrores.

Não sabia que a África vai caindo com pobreza, fome e misérias
Ou que ela vai morrendo de doenças e epidemias
Nunca ouvi falar da peregrinação de milhões de refugiados
Que são fechados em campos de morte completamente esquecidos.

Não sei o que é isso do aquecimento global.
Nem senti a tão falada crise mundial.
Ao que parece a vida no planeta Terra está ameaçada
Mas eu acho que isto é tudo política, pura propaganda.


25-02-2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Romântico


Diz o que sentes e ouvirás o que mereces
O que vem da alma chega com amor
Serão sempre palavras do coração
E vão alojar-se onde queres

Assim poderás ouvir o que sonhas
E terás o que sempre desejas
Pois da alma vem a genuinidade
E um amor querido

Seja romântico na tua particularidade
Encara a tua paixão com simplicidade
Vive todas a emoções com fervor
Deseja-a como se fosse a única existência

Queira tudo o que o que ela traz
E dá tudo o que podes e deves
Entrega-te como se nada mais existisse
E viverás algo único e feliz.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

És Cabo Verde, cretcheu


Ó Tu aí que Te fazes a mim e não me largas
Com esta Tua morabeza contagiante,
Com este gingar das Tuas ancas
Neste batuque “tchabetado”.

Ó Tu aí que rebolas ao vento,
Que passas por mim, sorris e não ficas
E vais balançando com este andar de menina de zona,
Que Te dás como se fosse tudo Teu.

Ó Tu aí que passeias por outros mundos
Que convives com outros povos
Sempre na Tua cultura, costume e tradições
E Te recitas no Teu falar e no Teu namorar.

Ó Tu aí que tens Camões na língua
Que numa serenata cantas e encantas com as Tuas mornas,
Mas ao mesmo tempo me cansas com o Teu funaná.
Ah…só no azul das Tuas quentes águas me acalmo.

Ó Tu aí que me entristeces com as Tuas saudades,
Mas que me alegras com a Tua força, os Teus sacrifícios
Este Teu abraçar das tuas coladeiras
Me faz sentir em casa pisando o castanho da terra.

Ó Tu aí que me acordas com o ardente do Teu grogue
E me manténs com a riqueza da Tua cachupa
Só mesmo Tu com os Teus dez amores do Atlântico
Para não me deixares esquecer quem sou e de onde venho.

Ó Tu aí…sei bem quem És.
És África, És Cabo Verde.
Ó “cretcheu”, sou Teu.



07-02-2009

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Tenho medo


Tenho medo, meu amor,
Do medo que tenho.

Medo das tuas saudades
Da falta que me farás,
Da tristeza da despedida,
Da dor do adeus.

Medo de sentir saudades tuas
E não te ter debaixo da lua,
Amarrar-te nos meus braços
E soltar-te em beijos apaixonados.

Medo das lágrimas que cairão dos meus olhos
Inundando todo o meu coração de solidão
E que possam limpar o meu corpo
De carícias tuas que nele ficaram gravadas.

Tenho medo do mar que me rodeia
Daquelas ondas que trazem lembranças
Quebrando-as contras as pretas rochas
Destas ilhas plantadas no oceano.

Tenho medo de não mais sonhar-te,
De te esquecer quando não me lembrar
De não mais sentir-te na minha alma
E de morrer quando te amar.

Tenho medo
Do medo que tenho.

08-12-2008